COM SHOW LOTADO NO CAMAROTE SALVADOR E LANÇAMENTO DE NOVA MÚSICA, DJs BAIANOS MOSTRAM QUE SALVADOR TAMBÉM PODE SER TERRA DA MÚSICA ELETRÔNICA Ricardo Lemos 18 de maio de 2026 Cultura, Notícias Crescer em Salvador é crescer ouvindo que a cidade é a terra do axé, do pagodão e do arrocha. Dificilmente alguém completa a frase dizendo que ela também é terra da música eletrônica. Durante anos, essa ideia foi repetida como verdade: “isso é coisa de paulista”, “isso não é música de baiano”. A dupla de DJs e produtores por trás do projeto Fullmode decidiu não aceitar esse limite. Após uma apresentação marcante no Camarote Salvador, durante o Carnaval de 2026, e o lançamento da faixa “Salvador”, o projeto propõe uma inversão simples, mas poderosa: não adaptar a música eletrônica à Bahia de forma superficial, mas permitir que a própria Bahia atravesse a música eletrônica. No palco do Camarote Salvador, o Fullmode entregou um set que transformou a pista em uma experiência sensorial conectada à identidade baiana. Misturando elementos eletrônicos com referências culturais e emocionais da cidade, a dupla fez o público cantar, vibrar e se reconhecer dentro da sonoridade apresentada. Em meio à energia do Carnaval, o show reforçou que a música eletrônica também pode ocupar espaços tradicionais da cultura baiana sem perder autenticidade. A faixa “Salvador” materializa isso de forma simbólica. Baseada em um poema de Aloísio Menezes, a música constrói uma atmosfera que percorre identidade, memória e pertencimento, até chegar a um momento-chave: o grito de “Salvador”, imediatamente antes de um drop de house. Mais do que um recurso estético, esse momento funciona como declaração. É a afirmação de que a música eletrônica também pode ser linguagem baiana. Que a pista também pode carregar história. E que identidade cultural não precisa ser limitada a um único formato. Essa mesma percepção já havia aparecido no projeto Um Círculo, idealizado pela dupla em 2023. A proposta do evento era criar uma experiência coletiva onde música, arte, conexão e pertencimento se encontrassem em um mesmo espaço. Fugindo do formato tradicional das festas eletrônicas, o projeto apostou em uma atmosfera mais humana, próxima e imersiva, aproximando públicos que normalmente não consumiam o gênero. No evento, um fenômeno curioso se repetiu: pessoas que afirmavam não gostar de música eletrônica estavam ali, aproveitando cada instante. Não por adaptação de repertório, mas por identificação. “A gente percebeu que o problema não era a música eletrônica em si, mas a forma como ela chega”, explicam. “Quando ela se conecta com algo que é familiar, culturalmente próximo, a barreira simplesmente desaparece.” A proposta do Fullmode não é negar os gêneros que historicamente definem Salvador, mas expandir esse território. Se a cidade é reconhecida mundialmente pela força de sua música, por que a música eletrônica não poderia fazer parte dessa narrativa também? “Já temos uma carreira de 10 anos como DJs e produtores e passamos boa parte dela buscando referências de sonoridades gringas. Só agora nos demos conta do óbvio: a resposta está dentro de casa. Salvador é uma potência musical e criativa, e esse projeto é sobre a fusão desses diferentes tipos de sons.” Ao invés de buscar validação fora, o movimento parte de outro lugar: o direito de ocupar. E, principalmente, de reconfigurar uma ideia que parece pequena demais para uma cidade como Salvador. Confira: https://www.youtube.com/watch?v=nWWBdrg-uvo Deixe uma resposta Cancelar resposta Seu endereço de email não será publicado.ComentarNome* Email* Website