A estratégia do governo envolve investimentos pesados em promoção turística, infraestrutura, receptivo, segurança, saúde e apoio aos festejos espalhados pelas 13 zonas turísticas do estado

Com bandeirolas espalhadas pelas ruas, trios nordestinos tomando conta das praças e o interior em ritmo acelerado de preparação, a Bahia inicia a temporada do São João com expectativa de recorde de público. Antes mesmo da chegada oficial de junho, a Bahia já começou a curtir o clima junino. Em Salvador, o arrasta-pé já começa a ocupar largos, bairros, praças e centros culturais. No interior, dezenas de municípios iniciam os festejos logo nos primeiros dias do mês, tornando a Bahia um dos maiores destinos juninos do Brasil e transformando o período em uma gigantesca engrenagem cultural, turística e econômica.

Cidades tradicionais como Amargosa, Cruz das Almas, Senhor do Bonfim, Santo Antônio de Jesus, Ibicuí, Irecê, Serrinha, Jequié e Lençóis já registram aumento na procura por hospedagens e intensa movimentação no comércio local. Em muitos desses municípios, hotéis e pousadas operam próximos da lotação máxima semanas antes da abertura oficial das festas.

A Secretaria de Turismo do Estado projeta a chegada de cerca de 1,8 milhão de visitantes durante o período junino, com movimentação econômica estimada em aproximadamente R$ 2,3 bilhões. Os números superam os resultados do ano anterior, quando 1,7 milhão de turistas movimentaram cerca de R$ 2 bilhões na economia baiana.

O secretário estadual de Turismo, Maurício Bacelar, afirma que o crescimento do São João baiano é resultado de um planejamento estratégico que transformou os festejos em um dos principais produtos turísticos do estado. “Estamos prontos para bater, novamente, o recorde de movimentação no São João, em função da promoção nacional do evento e do apoio estadual aos festejos em 300 municípios, com infraestrutura, segurança e muitas atrações regionais e nacionais”, declarou Bacelar à imprensa.

Bacelar destaca ainda que a Bahia passou a tratar o São João como uma vitrine internacional da cultura nordestina. “Começamos a divulgar a festa logo após o Carnaval nos principais polos emissores de turistas nacionais, além da promoção em feiras internacionais de turismo. A Bahia se preparou para receber os visitantes”, afirmou.

A estratégia do governo envolve investimentos pesados em promoção turística, infraestrutura, receptivo, segurança, saúde e apoio aos festejos espalhados pelas 13 zonas turísticas do estado. O fortalecimento do São João também vem sendo tratado como ferramenta de desenvolvimento regional e geração de renda para centenas de cidades do interior.

No início deste mês, em entrevista à Tribuna da Bahia, o superintendente de Fomento ao Turismo da Bahia (Sufotur), Gustavo Stelitano, afirmou que o governo estadual decidiu reforçar o caráter cultural da festa sem abrir mão do impacto econômico provocado pelos festejos.

“O governador Jerônimo Rodrigues determinou que o Governo da Bahia, através da Sufotur, investisse no fortalecimento da identidade cultural do São João da Bahia e dos

demais festejos juninos. Pelo menos 25% dos recursos destinados às apresentações artísticas deverão ser aplicados na contratação de artistas do autêntico forró, com ênfase no samba junino, xaxado, baião, xote e no forró pé-de-serra”, declarou.

Segundo Stelitano, a proposta é consolidar o São João da Bahia como uma experiência cultural autêntica e competitiva nacionalmente, apostando na força da tradição nordestina.

“O turismo é uma indústria dinâmica, mas algumas características devem se manter para atrair mais visitantes, como a preservação ambiental, o cuidado com a cultura e a tradição”, afirmou o superintendente à Tribuna.

TRADE – O trade turístico avalia que o cenário deste ano é extremamente positivo. A ABIH Bahia aponta crescimento contínuo da procura por hospedagem em cidades juninas tradicionais, enquanto a ABAV Bahia observa aumento da venda de pacotes voltados para o interior do estado.

Além dos grandes shows e das atrações nacionais, o São João da Bahia se fortalece como experiência afetiva e cultural completa. Gastronomia típica, quadrilhas, decoração junina, sanfona, forró pé-de-serra e manifestações populares ajudam a consolidar a festa como um dos maiores símbolos da identidade nordestina.

Nas cidades do interior, comerciantes já sentem os reflexos da movimentação antecipada. Restaurantes ampliam estoques, ambulantes reforçam a preparação e o setor de serviços se organiza para receber milhares de turistas que devem circular entre Salvador e os municípios baianos ao longo de todo o mês de junho.

Por Hieros Vasconcelos/ TRIBUNA DA BAHIA

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