ESCLEROSE MÚLTIPLA É MAIS COMUM EM JOVENS ADULTOS Ricardo Lemos 18 de agosto de 2026 Notícias, Saúde Neste Agosto Laranja, neurologista explica a doença e fala sobre sintomas, crises e tratamentos De acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) estima-se mais de 40 mil casos diagnosticados no país. Por sua vez, a Organização Mundial da Saúde (OMS), afirma que a doença atinge cerca de 2,8 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, em 30 de agosto celebra-se o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla e o mês ganha a cor laranja para alertar sobre a enfermidade. O neurologista Iron Dangoni Filho, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, pontua que a esclerose múltipla é mais comum em adultos jovens, principalmente entre os 20 e 40 anos de idade. “Também é cerca de duas a três vezes mais frequente em mulheres do que em homens. Apesar disso, a doença pode surgir antes ou depois dessa faixa etária, embora isso seja bem menos comum”, afirma. Não há grupo de risco fechado para esta enfermidade, mas, segundo o médico, algumas pessoas podem ter mais chances de desenvolvê-la. “A esclerose múltipla resulta da interação entre predisposição genética e fatores ambientais. Ter um familiar com a doença aumenta discretamente o risco, mas a grande maioria dos pacientes não possui outros casos na família. Pessoas com baixos níveis de vitamina D, histórico de infecção pelo vírus Epstein-Barr na infância, obesidade na adolescência e tabagismo apresentam maior risco de desenvolver a doença”, explica. Sintomas e estilo de vida Iron Dangoni Filho destaca que os sintomas da esclerose múltipla variam bastante de uma pessoa para outra, mas alguns sinais merecem atenção, principalmente quando surgem de forma súbita e persistem por mais de 24 horas. “Entre eles estão perda ou embaçamento da visão em um dos olhos, geralmente acompanhado de dor ao movimentá-lo; formigamentos ou dormências em braços, pernas ou no rosto; fraqueza em um lado do corpo; desequilíbrio, tontura ou dificuldade para caminhar; visão dupla e alterações urinárias”, elenca. Embora o estilo de vida, por si só, não cause esclerose múltipla, o neurologista afirma que ele pode influenciar tanto no risco de desenvolver a enfermidade quanto em sua evolução. “O tabagismo é um dos fatores mais bem estabelecidos e está associado a uma progressão mais rápida da doença e maior incapacidade ao longo do tempo. O sedentarismo pode contribuir para piorar o condicionamento físico, fadiga e perda de qualidade de vida. Já o consumo excessivo de álcool pode piorar sintomas como desequilíbrio e interagir com alguns medicamentos”, detalha. Crises e tratamentos Durante uma crise, Iron Dangoni Filho ressalta que o mais importante é procurar atendimento médico para confirmar se realmente se trata de um surto da doença ou de outra condição, como uma infecção, que pode causar piora temporária dos sintomas. “Além do tratamento prescrito pelo neurologista, familiares e amigos podem ajudar oferecendo apoio, respeitando as limitações do paciente naquele momento e auxiliando nas atividades do dia a dia quando necessário”, pontua. Ele lembra que desde 2012, com o surgimento da primeira medicação de alta eficácia, o tratamento da esclerose múltipla mudou, assim como a evolução, modificando a ideia de que a doença levará a pessoa a ficar acamada ou com sequelas. “O tratamento pode ser dividido em dois pilares. O primeiro é o tratamento das crises, geralmente realizado com corticoides em altas doses para reduzir a inflamação, chamado de pulsoterapia (terapia de pulso, pois usamos uma alta dose em um curto intervalo de tempo)”. Já o segundo pilar é o tratamento modificador da doença. “Feito com medicamentos que reduzem a atividade inflamatória, diminuem o número de surtos, retardam a progressão da incapacidade e reduzem o aparecimento de novas lesões no cérebro e na medula”, destaca o especialista. Atualmente existem diversas medicações, incluindo terapias orais, injetáveis e infusões intravenosas, permitindo individualizar o tratamento para cada paciente. “Existem tratamento diários, mensais e até drogas que são usadas uma vez ao ano. Inteirar-se com seu neurologista sobre as opções é de extrema importância e sugiro, inclusive, que participe de forma ativa na escolha do tratamento junto do seu médico”, salienta Iron Dangoni Filho. Deixe uma resposta Cancelar resposta Seu endereço de email não será publicado.ComentarNome* Email* Website