BELEZA SEM ESPERA? O QUE O “EFEITO OZEMPIC” REVELA SOBRE AUTOESTIMA E ANSIEDADE FEMININA Ricardo Lemos 27 de abril de 2026 Notícias, Saúde A busca por resultados rápidos está transformando não só o corpo — mas também a forma como as mulheres lidam com emoções, autoestima e autoconhecimento Em um mundo onde tudo acontece em segundos, esperar se tornou quase insuportável. Dietas longas, treinos consistentes, processos internos… tudo isso parece “lento demais” diante de soluções rápidas que prometem transformar o corpo em pouco tempo. O crescimento do uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro reflete muito mais do que uma tendência estética. Para a psicóloga Juliana Coria, esse movimento escancara uma questão profunda: a dificuldade crescente de sustentar processos — inclusive emocionais. “Hoje, não queremos só resultados. Queremos resultados imediatos. E isso diz muito sobre como estamos lidando com nossas inseguranças, frustrações e expectativas”, explica. O novo padrão de beleza: rápido, eficiente — e silenciosamente emocional Se antes a jornada da beleza envolvia tempo, descoberta e construção de autoestima, hoje ela vem sendo encurtada por soluções que prometem acelerar o processo. Mas o que fica quando o corpo muda antes da mente acompanhar? “Existe um risco de desconexão. A mulher alcança o resultado estético, mas emocionalmente ainda carrega as mesmas inseguranças. A transformação externa não substitui o processo interno”, afirma Juliana. Ansiedade, comparação e a pressa para ‘se sentir suficiente’ Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que o Brasil está entre os países com maiores índices de ansiedade do mundo — um cenário que ajuda a explicar por que tantas mulheres buscam soluções rápidas. Para reforçar , medicamentos baseados em GLP-1 registram aumento expressivo de demanda no Brasil, segundo dados de mercado da IQVIA. Além disso, cresce a preferência por soluções imediatas em diversas áreas — da saúde à estética — refletindo uma menor tolerância ao desconforto. A lógica é quase invisível, mas poderosa: mudar rápido = sentir-se melhor mais rápido Só que nem sempre funciona assim. “A pressa em mudar o corpo muitas vezes é uma tentativa de aliviar um desconforto emocional. Mas sem olhar para isso, o alívio pode ser temporário”, pontua a psicóloga. Beleza também é processo No universo da beleza, onde tendências surgem e desaparecem rapidamente, existe uma conversa que precisa ganhar mais espaço: a de que nem tudo pode ou deve ser acelerado. Cuidar da pele, do corpo e da imagem também envolve tempo, consistência e, principalmente, autoconhecimento. “A verdadeira autoestima não nasce de um resultado imediato. Ela é construída na forma como a mulher se relaciona consigo mesma ao longo do caminho”, diz Juliana. Entre o espelho e a mente: um novo olhar sobre beleza Talvez a pergunta mais importante não seja “como mudar mais rápido”, mas sim: Por que estamos com tanta pressa? Em uma era que valoriza a performance e a perfeição, desacelerar pode parecer um ato de resistência , mas também pode ser o caminho para uma beleza mais real, mais consciente e mais sustentável. Sobre a especialista Juliana Coria é psicóloga e estuda os impactos do comportamento contemporâneo na saúde emocional feminina, com foco em autoestima, ansiedade e padrões de beleza. Deixe uma resposta Cancelar resposta Seu endereço de email não será publicado.ComentarNome* Email* Website