CONGRESSO NACIONAL APROVA PEC DA SEGURANÇA PÚBLICA E ABRE CAMINHO PARA CRIAÇÃO DE POLÍCIAS MUNICIPAIS NO BRASIL Ricardo Lemos 4 de novembro de 2026 Notícias, Política Proposta aprovada pelo Senado permite que municípios criem suas próprias forças policiais, com atuação no policiamento ostensivo e comunitário; texto segue para promulgação O Congresso Nacional concluiu, nesta terça-feira (3 de novembro), a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública. Entre as principais mudanças está a possibilidade de criação de polícias municipais, ampliando a participação das prefeituras nas ações de prevenção e enfrentamento à criminalidade. A proposta, apresentada pelo Governo Federal, já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados em março deste ano e recebeu o aval definitivo do Senado Federal. A votação ocorreu em dois turnos, com 73 votos favoráveis no primeiro e 75 no segundo, ambos por unanimidade. Com a conclusão da votação nas duas Casas Legislativas, o texto segue para promulgação pelo Congresso Nacional. Polícia Municipal: o que muda na segurança das cidades? Uma das principais novidades da PEC é a previsão constitucional para a criação de polícias municipais de natureza civil, destinadas ao policiamento ostensivo e comunitário. Na prática, a medida abre caminho para que as prefeituras assumam uma participação mais ampla na segurança pública, com forças policiais voltadas à prevenção de crimes, à proteção da população e à atuação próxima das comunidades. Entretanto, a criação dessas instituições não será automática. Os municípios interessados deverão atender a requisitos legais, incluindo capacidade financeira, formação padronizada dos profissionais e critérios de habilitação e fiscalização. As polícias municipais também estarão sujeitas ao controle externo do Ministério Público, seguindo parâmetros estabelecidos para sua organização e funcionamento. O que acontece com as guardas municipais? A aprovação da PEC também representa uma mudança importante para o futuro das guardas municipais existentes no país. O texto prevê a possibilidade de criação de polícias municipais, mas estabelece que não poderá haver, em um mesmo município, guarda municipal e polícia municipal com atribuições sobrepostas. Dessa forma, a eventual transformação ou reorganização das estruturas municipais de segurança dependerá do cumprimento das exigências legais e de decisões administrativas e legislativas de cada município. A proposta não determina que todas as guardas municipais sejam automaticamente transformadas em polícias municipais, nem obriga as prefeituras a criar uma nova instituição. Reflexos para Valença e municípios do Baixo Sul da Bahia A aprovação da PEC também abre uma discussão importante para Valença e os demais municípios do Baixo Sul da Bahia, especialmente sobre o fortalecimento das estruturas locais de segurança pública. Em cidades que já possuem Guarda Civil Municipal, como Valença, a nova previsão constitucional poderá estimular debates sobre a organização, a capacitação e a ampliação das atividades desenvolvidas pelos agentes municipais. Entretanto, qualquer mudança dependerá da regulamentação aplicável, da capacidade financeira do município e das decisões do Poder Executivo e da Câmara de Vereadores. A criação de uma Polícia Municipal também exigirá planejamento administrativo, investimentos em formação profissional, equipamentos, estrutura operacional e mecanismos de fiscalização. Integração das forças de segurança Além da criação das polícias municipais, a PEC fortalece a cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios. O texto inclui o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição Federal, estabelecendo mecanismos de integração entre os órgãos responsáveis pela segurança. A proposta também amplia as atribuições da Polícia Federal no combate ao crime organizado e aos crimes ambientais, além de permitir a atuação da Polícia Rodoviária Federal em ferrovias e hidrovias federais. Outro ponto importante é a proteção de recursos destinados à segurança pública, com regras para evitar bloqueios e contingenciamentos de verbas de fundos federais do setor. Combate ao crime organizado A PEC também estabelece medidas voltadas ao enfrentamento de facções criminosas, milícias e organizações de alta periculosidade. Entre as previsões estão regras mais rigorosas para o cumprimento de penas, restrições a determinados benefícios penais, mecanismos de confisco de bens ligados ao crime organizado e medidas de proteção às vítimas e denunciantes, conforme regulamentação legal. Nova etapa para a segurança pública brasileira A aprovação da PEC 18/2025 representa uma mudança na estrutura constitucional da segurança pública brasileira, especialmente ao reconhecer a possibilidade de participação mais ampla dos municípios no policiamento ostensivo e comunitário. Para as administrações municipais, o novo modelo poderá representar uma oportunidade de fortalecer as políticas locais de segurança, desde que sejam observados os requisitos legais, financeiros e operacionais. Com a promulgação da emenda constitucional, caberá aos órgãos competentes e aos municípios avaliar os próximos passos para a implementação das mudanças previstas. A expectativa é que a nova estrutura contribua para ampliar a integração entre as forças de segurança e fortalecer as ações de prevenção e combate à criminalidade em todo o território nacional. Deixe uma resposta Cancelar resposta Seu endereço de email não será publicado.ComentarNome* Email* Website