MATER DEI SALVADOR REALIZA PROCEDIMENTO INÉDITO EM BEBÊ PREMATURO NA BAHIA Ricardo Lemos 21 de julho de 2026 Notícias, Saúde Intervenção por cateterismo fechou canal arterial em paciente com menos de 2kg, que evoluiu bem, ganhou peso e tem alta programada para esta semana A equipe do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS) realizou o primeiro procedimento na Bahia de fechamento do canal arterial em um bebê prematuro extremo. A intervenção foi feita por cateterismo cardíaco, com o uso da prótese Piccolo, desenvolvida especialmente para pacientes muito pequenos e delicados. O bebê nasceu no interior do estado com apenas 26 semanas de gestação e 1,1 kg. Antes da indicação do procedimento, ele recebeu dois ciclos de tratamento medicamentoso para a tentativa de fechamento do canal arterial, mas não apresentou resposta. Diante do quadro, a decisão pelo fechamento percutâneo foi tomada após discussão multidisciplinar entre as equipes envolvidas no cuidado. A intervenção foi realizada quando o bebê estava com 1,4 kg, pela equipe de Hemodinâmica Congênita liderada pela médica Cauyna Moreira. O procedimento ocorreu sem intercorrências e o recém-nascido apresentou boa recuperação. Atualmente, o bebê está em ótimo estado de saúde, ganhou peso e tem alta hospitalar programada para esta semana. O canal arterial é uma estrutura presente em todos os fetos e, normalmente, se fecha nas primeiras horas após o nascimento. Em bebês prematuros, no entanto, esse fechamento pode demorar ou não acontecer de forma espontânea, provocando sobrecarga no coração e nos pulmões. A persistência do canal arterial é considerada a cardiopatia congênita mais comum em prematuros. Em muitos casos, a correção pode ser feita com medicamentos. Quando não há resposta ao tratamento clínico, a equipe avalia outras possibilidades, como cirurgia ou cateterismo. A definição da melhor conduta é sempre individualizada, levando em conta o peso do bebê, a gravidade do quadro e os riscos envolvidos. Embora o fechamento do canal arterial por cateterismo já seja realizado em adultos, crianças e até bebês, o caso ganha relevância por envolver um grupo muito específico: prematuros extremos com menos de 2 kg. Nesses pacientes, a persistência do canal pode provocar consequências graves, como a necessidade de intubação orotraqueal e o uso contínuo de medicações venosas para equilibrar o fluxo sanguíneo entre os pulmões e órgãos como intestino, rins e cérebro. Diante da complexidade do quadro, o bebê foi transferido por UTI aérea para a UTI Neonatal do Hospital Mater Dei Salvador. O caso mobilizou uma equipe multiprofissional, com atuação da Cardiologia Pediátrica, Neonatologia, Hemodinâmica Congênita, Ecocardiografia Pediátrica e Fetal, Anestesiologia e Cirurgia Cardíaca Pediátrica. O acompanhamento cardiopediátrico contou com a participação de Keylla Passos, coordenadora do Serviço de Cardiologia Pediátrica do HMDS, e de Lidiane Dias, especialista em Cardiologia e Ecocardiografia Pediátrica e Fetal. Também participaram da assistência o anestesiologista Kalil Fregúlia; a equipe de retaguarda da Cirurgia Cardíaca Pediátrica, formada por Nadja Kraychete e Ives Maciel; e Idelanio Sampaio, responsável pelo cuidado neonatal imediato, juntamente com a equipe da UTI Neonatal. Após o procedimento, o bebê apresentou excelente evolução clínica, ganhou peso e alcançou as condições necessárias para deixar o hospital. Com alta programada para esta semana, ele poderá retornar para casa e dar continuidade à recuperação ao lado da família. Deixe uma resposta Cancelar resposta Seu endereço de email não será publicado.ComentarNome* Email* Website