Poeta, escritor, dramaturgo, artista visual e gestor cultural, Otávio Mota coordenava o Centro de Cultura Olívia Barradas desde 2011 e deixa importante legado para a cultura valenciana

A cultura de Valença e do Baixo Sul da Bahia está de luto com o falecimento de Otávio Campos Mota Nunes, poeta, escritor, dramaturgo, artista visual, gestor cultural e membro da Academia Valenciana de Educação, Letras e Artes (AVELA). Ele morreu aos 78 anos e deixa uma trajetória marcada pela dedicação às artes, à literatura, ao teatro e à preservação da memória cultural valenciana.

A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) manifestou profundo pesar pela morte do artista, destacando sua contribuição para a cultura baiana e, especialmente, para Valença, cidade onde viveu desde os primeiros anos de vida.

Nascido em 9 de novembro de 1947, em Amargosa, Otávio Mota construiu grande parte de sua trajetória em Valença, município ao qual dedicou décadas de trabalho e atuação cultural. Em reconhecimento à sua contribuição para a vida da cidade, recebeu, em 2025, o título de Cidadão Valenciano.

Desde 2011, Otávio Mota atuava como coordenador do Centro de Cultura Olívia Barradas, equipamento cultural da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia em Valença. À frente do espaço, acompanhou e incentivou artistas, grupos culturais, escritores, músicos e produtores, contribuindo para consolidar o Centro de Cultura como um importante ponto de encontro, criação, circulação e expressão artística do Baixo Sul.

Uma vida dedicada à cultura

A trajetória profissional de Otávio Mota também esteve ligada à administração pública de Valença. Entre 1983 e 1988, exerceu o cargo de secretário municipal de Administração e Finanças. Posteriormente, foi coordenador de Eventos da Prefeitura, entre 1993 e 1996, e diretor municipal de Turismo, de 2001 a 2004.

Sua atuação cultural, entretanto, ultrapassou os limites da administração pública. Otávio participou de importantes iniciativas relacionadas à literatura, teatro, artes visuais, música, patrimônio e manifestações populares.

Entre suas contribuições está o resgate da manifestação popular Arguidá, considerada uma tradição centenária e de características únicas no Brasil. Também participou da introdução dos terreiros de matriz africana na Lavagem do Amparo, tradição que permanece até os dias atuais.

Foi ainda membro do Conselho Municipal de Cultura desde sua formação e participou da elaboração do Plano Municipal de Cultura de Valença, além de integrar a comissão de seleção do edital da Lei Aldir Blanc no município, em 2020.

Escritor e poeta

Na literatura, Otávio Mota deixou uma produção diversificada, com livros que passaram a integrar a memória cultural de Valença e da região.

Entre suas obras publicadas estão “Pensar Fluídos: poemas”, de 1996; “Apocalipse Men: poesia e teatro”, de 1997; “Una que te quero Una”, de 2000; “Valenciando: Antologia Poética”, publicada em 2005 pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia; “Rio de Letras: Antologia Poética”, de 2010; e “Quatro Ases & um Coringa: Antologia Poética”, de 2014.

Seu trabalho literário também alcançou publicações e projetos fora de Valença, incluindo participação em revistas, agendas culturais e publicações literárias.

Em 2025, esteve envolvido na editoração do livro “O Tempo e o Caminho”, lançado em Valença, Ituberá e Velha Boipeba, ampliando sua participação no circuito literário regional.

Teatro, artes visuais e reconhecimento

No teatro, Otávio Mota escreveu e dirigiu diversos espetáculos, entre eles “Ensaio para um Grito Brando”, “Apocalipse Men”, “Bidi: É Preciso Cantar”, “Calu e o Rei Raul”, “Nas Terras do Una”, “Teatro Nu”, “O Porão”, “Amares: Uma Saga de Todos os Ares” e “Incompatibilidade”.

Algumas dessas produções foram apresentadas em municípios como Valença,

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