A VOZ INESQUECÍVEL DE BONNIE TYLER NASCEU DE UMA COMPLICAÇÃO CIRÚRGICA. VALE A PENA CORRER ESSE RISCO? Ricardo Lemos 10 de julho de 2026 Cultura, Notícias, Saúde Especialista explica por que a rouquidão que marcou a carreira da cantora não deve ser encarada como um objetivo estético e reforça a importância do repouso vocal após cirurgias na laringe A morte da cantora Bonnie Tyler, eternizada por sucessos como Total Eclipse of the Heart e Holding Out for a Hero, reacendeu uma curiosidade antiga entre os fãs. A origem da voz rouca que se tornou uma das características mais marcantes de sua carreira. O timbre inconfundível surgiu após uma cirurgia para retirada de nódulos nas pregas vocais, realizada no fim da década de 1970. Segundo relatos da própria artista, ela voltou a falar e cantar antes do período recomendado pelos médicos, o que teria provocado uma alteração permanente em sua voz. Para o otorrinolaringologista e laringologista Dr. Guilherme Catani, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista em microcirurgia de laringe, esse caso ilustra por que o pós-operatório é tão importante quanto o procedimento em si. “A cirurgia nas pregas vocais é realizada para restaurar a função da voz, e não para provocar uma alteração permanente. O sucesso do tratamento depende tanto da técnica cirúrgica quanto do comprometimento do paciente com o período de recuperação. Desrespeitar o repouso vocal pode comprometer a cicatrização e levar a sequelas definitivas”, explica. Segundo o especialista, apesar de a rouquidão de Bonnie Tyler ter se transformado em uma assinatura artística, esse tipo de resultado não deve ser romantizado. “Ela conseguiu construir uma carreira extraordinária com aquela voz, mas isso não significa que a alteração tenha sido benéfica do ponto de vista médico. Uma cicatriz na prega vocal modifica sua vibração e pode reduzir a qualidade vocal, limitar a extensão da voz, aumentar o esforço para falar e até comprometer a resistência vocal.” Catani explica que a indicação de cirurgia para nódulos vocais é bastante criteriosa. Em muitos casos, o tratamento inicial é conservador, com acompanhamento fonoaudiológico, orientação sobre higiene vocal e mudanças nos hábitos que levaram ao aparecimento da lesão. “A cirurgia costuma ser indicada quando a lesão persiste apesar do tratamento adequado ou quando há impacto importante na qualidade vocal. Mesmo nesses casos, o objetivo é preservar ao máximo a anatomia e a função das pregas vocais.” Outro ponto destacado pelo laringologista é que cada voz responde de maneira diferente a um procedimento cirúrgico. “Não existe cirurgia para deixar a voz mais rouca ou mais marcante. O objetivo é tratar uma doença e preservar a função vocal. Qualquer alteração permanente decorrente de uma complicação deve ser encarada como uma sequela, e não como um resultado esperado.” O médico reforça que qualquer rouquidão persistente merece avaliação especializada. “Se a rouquidão durar mais de duas semanas, especialmente sem estar relacionada a um quadro gripal, é importante procurar um otorrinolaringologista. O diagnóstico precoce permite identificar desde alterações benignas até doenças mais graves, aumentando as chances de um tratamento eficaz.” Deixe uma resposta Cancelar resposta Seu endereço de email não será publicado.ComentarNome* Email* Website