O coração tem um ritmo. Na maior parte da vida, ele bate de forma sincronizada, quase como um maestro que rege uma orquestra sem errar uma única nota. Mas, quando esse compasso se perde, todo o organismo sente. Tonturas, desmaios, cansaço excessivo, falta de ar e até perda de consciência podem ser sinais de que o sistema elétrico responsável pelos batimentos deixou de funcionar como deveria.

É justamente nesse momento que o marcapasso entra em ação. O pequeno dispositivo monitora os batimentos cardíacos 24 horas por dia e, sempre que identifica que o coração está batendo mais devagar do que o necessário ou fazendo pausas perigosas, envia impulsos elétricos para restabelecer o ritmo adequado. Ele não substitui o coração nem faz o órgão bater o tempo todo. Apenas atua quando é necessário, devolvendo ao coração o seu compasso natural.

Estima-se que mais de 300 mil brasileiros convivam atualmente com um marcapasso. Todos os anos, cerca de 49 mil novos dispositivos são implantados no país, o equivalente a aproximadamente 199 implantes por milhão de habitantes. A maioria dos pacientes tem entre 64 e 70 anos, mas o aparelho também pode ser indicado para adultos jovens e, em situações específicas, até para crianças.

“O marcapasso é indicado quando o coração perde a capacidade de manter um ritmo seguro para o organismo. O objetivo é devolver qualidade de vida e prevenir complicações, como desmaios, insuficiência cardíaca e até morte súbita.”, explica o Dr. Cristiano Pisani, cardiologista, especialista em arritmias cardíacas e presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas ( SOBRAC) .

Quando o marcapasso é indicado?

O implante é realizado por um cardiologista especializado em arritmias cardíacas, geralmente em uma sala de hemodinâmica ou centro cirúrgico, sob anestesia local e sedação. O procedimento costuma durar entre uma e duas horas.

O aparelho é colocado logo abaixo da pele, na região da clavícula, e conectado ao coração por um ou mais eletrodos introduzidos por uma veia.

As principais indicações são:

Bradicardia

Quando o coração bate lentamente demais, comprometendo a circulação do sangue e provocando sintomas como tontura, fadiga, desmaios e falta de ar.

Bloqueio atrioventricular (AV)

Ocorre quando os impulsos elétricos não conseguem passar adequadamente entre as câmaras do coração, fazendo com que ele perca a sincronia.

Insuficiência cardíaca

Alguns pacientes precisam de um tipo especial de marcapasso, chamado ressincronizador cardíaco, que coordena a contração dos ventrículos e melhora a eficiência do bombeamento do sangue.

Mitos e verdades sobre o marcapasso

Quem usa marcapasso pode chegar perto do micro-ondas?

VERDADE. Esse é um dos mitos mais antigos. Os aparelhos modernos possuem proteção contra interferências eletromagnéticas e podem conviver normalmente com eletrodomésticos, incluindo o micro-ondas.

Pode passar pela porta giratória do banco e aeroporto?

VERDADE, mas sem permanecer parado. Detectores de metais podem identificar o dispositivo, mas não costumam alterar seu funcionamento. A recomendação é apresentar a carteira de portador de marcapasso e atravessar o equipamento normalmente, sem permanecer dentro do campo magnético por mais tempo do que o necessário.

Quem tem marcapasso pode fazer tomografia?

VERDADE. A tomografia computadorizada é considerada um exame seguro para pacientes com marcapasso.

E ressonância magnética?

DEPENDE. Atualmente existem marcapassos compatíveis com ressonância magnética. Quando o dispositivo não é desse tipo, o exame pode não ser recomendado. A avaliação deve sempre ser feita pelo cardiologista.

O telefone celular pode interferir no funcionamento?

MITO. Os celulares atuais não costumam causar interferência. Ainda assim, recomenda-se evitar carregá-los no bolso da camisa sobre o marcapasso e utilizá-los preferencialmente na orelha oposta ao lado do implante.

Quem usa marcapasso pode tomar café?

VERDADE. O café não interfere no funcionamento do dispositivo. O consumo deve seguir apenas as orientações médicas relacionadas às demais condições de saúde do paciente.

Pode consumir bebida alcoólica?

DEPENDE. O marcapasso não impede o consumo de álcool. No entanto, pacientes com insuficiência cardíaca ou outras doenças cardiovasculares podem precisar restringir ou evitar bebidas alcoólicas, conforme orientação médica.

É permitido andar de montanha-russa?

DEPENDE. Depois da recuperação da cirurgia, a maioria das pessoas pode praticar atividades físicas normalmente. Já brinquedos que provocam acelerações intensas ou impactos importantes devem ser avaliados individualmente pelo cardiologista.

Quanto tempo dura um marcapasso?

A bateria costuma durar entre 8 e 15 anos, dependendo do modelo e da necessidade de estimulação cardíaca. Durante as consultas de acompanhamento, o médico monitora a carga da bateria e programa a substituição antes que ela se esgote.

Quem usa marcapasso leva uma vida normal?

VERDADE. Após a recuperação do implante, a maioria dos pacientes volta a dirigir, trabalhar, viajar, praticar exercícios físicos e realizar suas atividades rotineiras normalmente. O acompanhamento periódico é fundamental para garantir que o aparelho continue funcionando corretamente.

“O marcapasso de hoje é muito diferente daquele de décadas atrás. Os dispositivos são menores, mais inteligentes, têm baterias de longa duração e permitem que a maioria dos pacientes tenha uma vida praticamente sem limitações.”, finaliza o especialista.

 

Via Rojas Comunicação

 

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.