A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna e as articulações da bacia. Ainda pouco conhecida pela população, a condição costuma ter sintomas iniciais discretos e, por isso, muitas vezes é confundida com dores lombares comuns, atrasando o diagnóstico e o início do tratamento adequado.

Estimativas apontam que a doença pode afetar até 1% da população mundial. No Brasil, especialistas alertam para o alto número de casos subdiagnosticados, fazendo com que muitos pacientes convivam durante anos com dores e limitações antes de descobrirem a causa real do problema.

Diferente da dor mecânica nas costas, que costuma melhorar com repouso, a espondilite anquilosante apresenta um padrão inflamatório. Os pacientes geralmente relatam dor lombar persistente, rigidez ao acordar, desconforto durante a madrugada e melhora dos sintomas com movimento e atividade física. Além da dor na coluna, também podem surgir cansaço excessivo, inflamação nos olhos e dores em outras articulações.

O Dr. Luciano Miller, ortopedista e cirurgião de coluna do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que a doença costuma surgir entre os 20 e 40 anos e pode ter forte relação genética. “Tradicionalmente, a espondilite anquilosante era mais associada aos homens, mas hoje sabemos que muitas mulheres também são afetadas. Como os sintomas podem ser confundidos com problemas musculares, má postura ou hérnia de disco, o diagnóstico frequentemente demora”, afirma.

O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica, exame físico, exames laboratoriais e exames de imagem, especialmente a ressonância magnética, que consegue identificar sinais precoces de inflamação na coluna e nas articulações.

Sem tratamento adequado, a inflamação contínua pode provocar perda progressiva da mobilidade da coluna, limitação funcional importante e alterações posturais ao longo do tempo. “A doença pode impactar significativamente a qualidade de vida, principalmente porque acomete pacientes jovens e em idade produtiva. Dor crônica, fadiga e dificuldade de movimentação acabam interferindo no trabalho, no sono e em atividades simples do dia a dia”, ressalta o especialista.

Atualmente, embora não exista cura definitiva, os tratamentos disponíveis conseguem controlar a inflamação, aliviar os sintomas e preservar a mobilidade dos pacientes. As opções incluem prática de atividade física orientada, fisioterapia, medicamentos anti-inflamatórios e, em alguns casos, imunobiológicos, que trouxeram avanços importantes no controle da doença nos últimos anos.

QUANDO PROCURAR AJUDA?
Dor lombar persistente por mais de três meses, principalmente em pessoas jovens, merece atenção, especialmente quando piora no repouso e melhora com movimento. Rigidez ao acordar, dor durante a noite e dificuldade progressiva de movimentação também são sinais de alerta importantes.

A recomendação é procurar avaliação médica especializada diante desses sintomas. O diagnóstico precoce faz diferença no controle da doença e ajuda a evitar limitações permanentes. “Dor nas costas frequente não deve ser considerada normal, principalmente em pacientes jovens. Quanto mais cedo identificamos a espondilite anquilosante, melhores tendem a ser os resultados do tratamento”, reforça o Dr. Luciano Miller.

A espondilite anquilosante é uma doença crônica que exige atenção e acompanhamento contínuo. Reconhecer os sinais precocemente e buscar orientação médica especializada pode fazer toda a diferença para preservar a qualidade de vida e a mobilidade dos pacientes.

 

 

 

 

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