INFARTO: QUANTO TEMPO ESPERAR APÓS OS PRIMEIROS SINTOMAS PARA PROCURAR AJUDA? Ricardo Lemos 15 de setembro de 2026 Notícias, Saúde Quando há suspeita de infarto, não se deve esperar para ver se os sintomas passam. A recomendação é procurar atendimento médico imediatamente, especialmente diante de dor, pressão ou desconforto no peito persistente, associado ou não a outros sintomas. O ideal é acionar um serviço de emergência, quando disponível, ou buscar rapidamente um pronto atendimento com capacidade para avaliação cardiovascular. “O ideal é procurar socorro nos primeiros minutos. No infarto, quanto mais tempo a artéria permanece obstruída, maior é a quantidade de músculo cardíaco que pode ser lesionada. Por isso, diante de sintomas sugestivos, não devemos esperar para ver se eles desaparecem espontaneamente”, alerta a cardiologista intervencionista Dra. Denise Pellegrini, diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI). O infarto agudo do miocárdio ocorre, na maioria dos casos, quando uma artéria que leva sangue ao coração é obstruída, geralmente pela formação de um coágulo sobre uma placa de gordura. Com a interrupção ou redução importante do fluxo sanguíneo, o músculo cardíaco deixa de receber oxigênio adequadamente e pode começar a sofrer lesões. Quais são os principais sinais de um infarto? O sintoma mais conhecido é a dor, pressão ou desconforto no peito, geralmente descrito como aperto, peso ou sensação de compressão no centro do tórax. Mas o infarto nem sempre se manifesta da mesma maneira. Outros sinais importantes podem incluir: dor ou desconforto que se irradia para um ou ambos os braços; dor ou desconforto na mandíbula, queixo, pescoço, ombros ou costas; desconforto na região do estômago; falta de ar; suor frio; náuseas ou vômitos; tontura ou sensação de desmaio; cansaço intenso e desproporcional ao esforço; mal-estar, inquietação ou ansiedade. “Um dos grandes problemas é que alguns sintomas são pouco reconhecidos como manifestações cardíacas. A pessoa pode pensar que está com indigestão, estresse, ansiedade ou apenas cansada e acaba postergando a busca por atendimento”, explica Dra. Denise. Quando é hora de pedir ajuda? A orientação é não esperar a dor ficar intensa ou insuportável. Diante de sintomas sugestivos de infarto, especialmente quando surgem de forma súbita ou são diferentes do habitual, a avaliação médica deve ser realizada o mais rapidamente possível. “O tempo para o tratamento de um infarto com uma artéria obstruída é muito importante. Quanto mais cedo o paciente chega a um serviço de emergência, recebe o diagnóstico e, quando indicado, tem a artéria desobstruída, maiores são as chances de limitar o dano ao coração e reduzir complicações. Por isso, não devemos esperar o quadro evoluir para procurar ajuda”, reforça a especialista. Como o infarto é identificado? No hospital, a avaliação começa pela história clínica e pelo exame físico. Um dos primeiros exames realizados é o eletrocardiograma (ECG), fundamental para identificar alterações características de determinados tipos de infarto e orientar a estratégia inicial de tratamento. Também são realizados exames de sangue, especialmente a dosagem de troponina, um marcador de lesão do músculo cardíaco. Dependendo do quadro clínico, podem ser necessários exames adicionais de imagem e avaliação da circulação coronariana. É importante lembrar que nem todo infarto apresenta alterações típicas no primeiro eletrocardiograma. Por isso, a avaliação médica e, quando necessário, a repetição de exames são fundamentais diante de uma suspeita clínica. Como o infarto é tratado? O tratamento depende do tipo de infarto e das características de cada paciente. Nos casos em que existe uma obstrução aguda de uma artéria coronária e há indicação de reperfusão imediata, uma das principais estratégias é a angioplastia coronária, procedimento realizado por cateterismo para identificar e tratar a obstrução, restabelecendo o fluxo sanguíneo, frequentemente com a implantação de um stent. Medicamentos também fazem parte do tratamento e podem incluir antiagregantes plaquetários, anticoagulantes e outras terapias, conforme o tipo de infarto, as características do paciente e a avaliação da equipe médica. “A prioridade é restabelecer o fluxo de sangue para o coração o mais rapidamente possível quando há uma artéria obstruída. Cada minuto de atraso pode representar mais músculo cardíaco lesionado. Por isso, o tratamento do infarto começa antes mesmo da chegada ao hospital, com o reconhecimento dos sintomas e a busca rápida por atendimento”, destaca a cardiologista. Fatores de risco não são os únicos responsáveis Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo e histórico familiar estão entre os principais fatores associados ao aumento do risco de doença cardiovascular. Ainda assim, a ausência desses fatores conhecidos não significa que uma pessoa esteja livre do risco de sofrer um infarto. Por isso, sintomas sugestivos não devem ser minimizados apenas porque a pessoa é jovem, pratica atividade física ou não possui diagnóstico prévio de doença cardiovascular. “O infarto é uma emergência médica em que a informação pode salvar vidas. Reconhecer os sintomas, não minimizar os sinais e procurar ajuda imediatamente são atitudes simples, mas fundamentais. A mensagem é clara: diante da suspeita, não espere”, conclui Dra. Denise Pellegrini. 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