O Movimento Cultural O Pente desembarcou em Luanda, em Angola, para uma ação internacional que celebrou seus 10 anos de atuação, conectando música, cultura e território entre Bahia e África.

A programação aconteceu entre os dias 21 e 24 de março, na Biblioteca Contra Ignorância, espaço de formação e pensamento crítico que recebeu atividades voltadas para crianças, jovens e adultos, ampliando o alcance do movimento para além da pista.

Mais do que uma circulação internacional, a presença de O Pente em Luanda se construiu como um gesto de retorno e reconexão entre margens do Atlântico.

“Retornar é um dever de todo brasileiro, baiano. Voltar ao nosso povo trazendo arte, vida, cor e alegria”, afirma o idealizador Uran Rodrigues.

A roda de conversa abriu caminhos para pensar a produção musical baiana e suas relações com a diáspora africana, em um ambiente de escuta ativa e troca direta entre os participantes.

O momento ganhou ainda mais força ao acontecer durante o Dia da Libertação da África Austral, celebrado em 23 de março, data que marca a vitória na Batalha do Cuito Cuanavale (1988), episódio fundamental na luta contra o apartheid e na independência da Namíbia.

A celebração culminou com O Pente – A Festa, conduzido por Uran Rodrigues, que apresentou um set atravessando diferentes camadas da música baiana, do samba-reggae ao pagodão contemporâneo, em diálogo com o kuduro e os ritmos de Luanda.

A edição contou ainda com a participação de artistas angolanos, ampliando o intercâmbio cultural. Estiveram presentes o bailarino Luís O Boato, a poetisa Kahungu Santana, as cantoras Grace e Ailelc, contribuindo para um encontro que integrou dança, poesia e música em uma experiência coletiva.

A pista se transformou em espaço de partilha, onde crianças também participaram ativamente, ressignificando o símbolo do pente como expressão de afeto, cuidado, identidade e celebração.

“O Pente é afeto, cuidado, existência, liberdade, música, corpo presente, poesia, ocupação e narrativa”, define Uran.

Ao longo da passagem por Angola, o movimento também promoveu encontros e gravações com artistas locais para a nova temporada do Tela Preta, ampliando o intercâmbio e fortalecendo conexões que seguem para além da ação.

Com passagens por cidades como Maputo, Nova York e Atlanta, O Pente se consolida como um movimento que articula festa, pensamento e território, expandindo sua atuação internacional a partir de experiências vividas e trocas reais.

A iniciativa foi viabilizada por meio do edital de mobilidade da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, em parceria com o Governo da Bahia, com articulação da plataforma Flotar e da Omí Gestão Cultural, além do apoio institucional da Biblioteca Contra Ignorância e produção local em Luanda.

Mais do que uma celebração, a passagem por Luanda reforça o papel de O Pente como um movimento que cria pontes reais entre Brasil e África, a partir da cultura, da escuta e da presença.

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