A HERANÇA E O LEGADO DOS POVOS AFRICANOS NA AVENIDA DO BLOCO AFRO OS NEGÕES Ricardo Lemos 23 de fevereiro de 2026 Cultura, Notícias Celebrando a força e o legado diaspórico dos povos africanos em conexão com o território baiano, o Bloco Afro Os Negões tomou conta da avenida no Carnaval de Salvador 2026. Foram três dias de cortejo pelos circuitos Campo Grande (Osmar) e Pelourinho (Batatinha), com o tema “Congo: Império Invisível da Bahia”, reverenciando no enredo o reinado africano como símbolo histórico de continuidade política, cultural e espiritual dos povos africanos na diáspora. A indumentária dos afiliados levou a assinatura de um dos grandes expoentes das artes plásticas da atualidade, o artista curitibano Rimon Guimarães, com finalização do designer Rafael Paixão. “Colocar o Bloco Afro Os Negões na rua todos os anos é atravessar um tempo de tradição que exige coragem, organização e resistência. Mesmo diante das dificuldades, seguimos firmes com o compromisso de manter nossos cortejos como parte viva da cultura negra brasileira. Somos patrimônio imaterial deste país”, lembrou Paulo Roberto, presidente do Bloco Afro Os Negões. A presença da realeza africana havia sido divulgada anteriormente. No entanto, diante de circunstâncias imprevistas, a comitiva não pôde estar na avenida, mas fez questão de reforçar a importância do bloco para a cena cultural brasileira, por meio de nota da Realiza Sankofa Brasil: “Mesmo diante de circunstâncias imprevistas que impossibilitaram nossa presença na Avenida, manifestamos nosso profundo reconhecimento à relevância histórica, cultural e política do Bloco Afro Os Negões no Carnaval da Bahia. Como forma de honra à sua trajetória de luta e contribuição fundamental à cultura afro-brasileira, concedemos oficialmente ao Bloco Os Negões o Título de Reconhecimento.” O bloco seguiu pleno pelas ruas do Centro Histórico de Salvador com Júnior Xavier, o Negro Lindo 2026, exalando perfume e nobreza ancestral viva. “Desfilar com o Bloco Afro Os Negões é uma sensação que não cabe em palavras — é arrepio, é orgulho, é entender que faço parte de algo muito maior do que eu. Estar em cima do trio como Negro Lindo 2026 não é só dançar, é carregar uma história inteira no corpo. Cada passo é memória, cada movimento é resistência. Quando olho a pipoca lá de cima, não vejo só gente: vejo um povo vivo, celebrando a própria existência”, contou Júnior. Para Luma Nascimento, vice-presidente do bloco: “O que levamos para a avenida foi um cortejo vivo de linguagens: a presença massiva do público jovem, o Samba de Caboclo de Parafuso como manifestação fundamental da nossa cultura, artistas africanos somando ao desfile e a homenagem à Luana Vitra como gesto de conexão estética e política. As alas performaram o tema ‘Congo: Império Invisível da Bahia’ com o corpo, transformando história em movimento e a avenida em espaço de criação coletiva.” O Bloco Afro Os Negões segue com suas atividades e ocupações culturais no Pelourinho e na Comunidade do Monte Belém na Vasco da Gama, reafirmando seu compromisso com a valorização da cultura negra e da memória afro-brasileira. Para conhecer mais e acompanhar as próximas ações, siga @osnegoes no Instagram. Fotos by GS Films Deixe uma resposta Cancelar resposta Seu endereço de email não será publicado.ComentarNome* Email* Website