Depois de uma das maiores mobilizações dos empregados da Caixa dos últimos anos, o Sindicato dos Bancários da Bahia indica a rejeição da proposta apresentada pelo banco para a renovação do ACT (Acordo Coletivo de Trabalho).
Depois de uma das maiores mobilizações dos empregados da Caixa dos últimos anos, o Sindicato dos Bancários da Bahia indica a rejeição da proposta apresentada pelo banco para a renovação do ACT (Acordo Coletivo de Trabalho). O encaminhamento foi debatido neste domingo (20/09), durante uma grande plenária que reuniu mais de 500 pessoas de forma on-line, além de dezenas de trabalhadores presencialmente.

Ao mesmo tempo, a entidade defende que a decisão sobre os próximos passos da greve seja tomada observando atentamente o cenário nacional e os resultados das assembleias realizadas em todo o país. A avaliação é de que a mobilização precisa continuar forte, mas também articulada nacionalmente, para preservar a unidade dos empregados e evitar que uma base permaneça isolada em um movimento que tem caráter nacional.

A proposta será submetida à votação nesta segunda-feira (21/09), das 11h às 18h, pelo link votar.selfapp.com.br

Representante da Bahia em 13 mesas de negociação com a Caixa durante a campanha, Érico de Jesus fez uma análise detalhada do processo e destacou que a proposta apresentada na madrugada de quinta-feira (17/09) não surgiu espontaneamente. Foi resultado da pressão exercida pela greve e da disposição dos empregados em continuar mobilizados.

Segundo Érico, a última negociação teve uma característica diferente das anteriores, inclusive com a presença da alta cúpula da Caixa e discussões que avançaram até aproximadamente 3h30 da madrugada.

“Chegamos ao limite da negociação naquela mesa. A Caixa colocou a alta cúpula para negociar e a discussão foi até 3h30 da manhã. A proposta que está sendo analisada agora é resultado também da pressão que os empregados fizeram durante toda essa mobilização”, explicou.

Entre as mudanças conquistadas está a ampliação do teto de participação do banco no custeio do Saúde Caixa, dos atuais 6,5% para 9% da folha de pagamento. Também foram mantidos o pacto intergeracional, o modelo solidário e a presença do Saúde Caixa no ACT. A proposta prevê ainda que não haverá reajuste das mensalidades em 2026.

Érico chamou atenção também para as alterações obtidas em outras áreas. No Super Caixa, houve mudanças nas regras e retirada de algumas penalizações vinculadas ao desempenho das unidades. A negociação incluiu ainda temas relacionados a promoção por mérito, carreira, pessoas com deficiência, direito à desconexão, licenças, férias, saúde do trabalhador e atendimento Figital e Genesys.

Apesar dos avanços produzidos pela mobilização, Érico ressaltou que questões relevantes continuam sem solução. Uma das principais é a situação dos empregados admitidos a partir de 2018, que seguem sem o mesmo acesso ao Saúde Caixa garantido aos trabalhadores contratados anteriormente.

A Caixa se comprometeu a criar espaços de discussão sobre o tema, além de questões relacionadas à gestão e à governança do plano, mas não apresentou, nesta negociação, uma solução definitiva para o segmento.

Outro ponto destacado durante a plenária foi o impacto financeiro da nova configuração do Saúde Caixa sobre a renda dos empregados. Na avaliação apresentada por Érico, mesmo considerando o reajuste conquistado na negociação geral com a Fenaban, há situações em que a combinação das novas despesas pode resultar em redução do salário líquido após a implementação do acordo.

“É preciso olhar para os avanços, mas também para aquilo que não foi resolvido. Os empregados pós-2018 continuam sem uma solução. E temos de considerar o impacto do Saúde Caixa no contracheque dos trabalhadores”, afirmou.

Para Érico, a própria evolução das propostas demonstra que a greve conseguiu alterar a posição inicial da empresa. Por isso, diante dos pontos que ainda permanecem pendentes, será necessário avaliar cuidadosamente a correlação de forças e a possibilidade de intensificar a mobilização.

Ele também chamou atenção para a quantidade de informações falsas disseminadas durante a campanha.

O presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Elder Perez, afirmou durante a plenária que a entidade tem, sim, um encaminhamento sobre a proposta. No entanto, ressaltou que uma greve nacional exige análise permanente do movimento nas demais bases do país. As assembleias desta segunda-feira ocorrerão em diversas regiões e os resultados serão fundamentais para definir a correlação de forças.

A greve, destacou o presidente, precisa ter capacidade efetiva de interromper a produção e pressionar o banco. Por isso, a avaliação sobre a continuidade não pode desconsiderar o quadro nacional.

A presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Andréia Sabino, ressaltou a importância da plenária como espaço de participação democrática da categoria. Para ela, é justamente nesses momentos que trabalhadores podem concordar, divergir e construir coletivamente os rumos do movimento.

“A mobilização está muito forte e muito consciente. Precisamos preservar isso. A categoria bancária sempre foi referência para outras categorias e precisa continuar dando exemplo de organização e participação”, disse.

A presidente da AGECEF Bahia, Karem Santana, também ressaltou a dimensão alcançada pelo movimento. Com 24 anos de Caixa, afirmou nunca ter presenciado uma mobilização semelhante entre os empregados.

Karem avaliou que a proposta está distante do que os trabalhadores reivindicavam inicialmente, mas ponderou que a greve e a negociação conseguiram preservar princípios considerados fundamentais do Saúde Caixa.

“A proposta não é a proposta dos sonhos. Não é uma proposta boa. Mas conseguimos preservar princípios do plano, manter o pacto intergeracional, a solidariedade e mutualismo. Isso aconteceu pela força da mobilização de todos. Que isso não pare. Que prossiga e reverbere. Precisamos cobrar mais, participar mais e fiscalizar mais. Seja qual for o caminho escolhido pela categoria, vamos seguir juntos”, afirmou.

Plenária mostra força da participação

A dimensão da plenária realizada neste domingo foi considerada, por si só, uma demonstração da mobilização existente na Bahia. Mais de 500 empregados acompanharam o debate pela internet, enquanto dezenas estiveram presencialmente no encontro.

Durante uma hora e meia, trabalhadores puderam ouvir informações sobre as negociações e apresentar diferentes avaliações sobre a proposta e sobre os rumos da greve.

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