CATETERISMO CARDÍACO: ENTENDA QUANDO O PROCEDIMENTO É INDICADO, COMO É REALIZADO E POR QUE ELE PODE SALVAR VIDAS Ricardo Lemos 19 de agosto de 2026 Notícias, Saúde Procedimento é um dos principais aliados no diagnóstico e tratamento das doenças cardiovasculares, responsáveis por cerca de 400 mil mortes por ano no Brasil Ao ouvir a palavra “cateterismo”, muitas pessoas associam o procedimento a uma cirurgia de grande porte ou a uma situação muito grave, o que não corresponde à realidade. O cateterismo cardíaco é um procedimento minimamente invasivo, muito utilizado para diagnosticar e tratar doenças do coração, permitindo que milhares de pacientes recebam atendimento rápido e preciso todos os anos. As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no Brasil e são responsáveis por aproximadamente 400 mil óbitos por ano no país. Nesse contexto, o cateterismo cardíaco desempenha um papel importante na investigação e no tratamento de diferentes condições cardiovasculares, contribuindo para uma avaliação mais precisa e, em situações de emergência, para uma intervenção rápida. O que é o cateterismo? O cateterismo cardíaco consiste na introdução de um tubo fino e flexível, chamado cateter, por uma artéria do punho ou da virilha. O dispositivo é conduzido até o coração com o auxílio de imagens em tempo real. Durante o exame, é injetado um meio de contraste que permite visualizar as artérias coronárias e identificar possíveis obstruções, estreitamentos ou outras alterações. A Dra. Denise Pellegrini, cardiologista intervencionista e diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), explica que “além de permitir o diagnóstico preciso das doenças que afetam as artérias do coração, o cateterismo também pode possibilitar o tratamento imediato, por meio da angioplastia e do implante de stents, quando indicado”. Quando o cateterismo é indicado? O procedimento pode ser recomendado em diversas situações, como quando a pessoa apresenta dor no peito ou suspeita de infarto; diante de alterações em exames, como teste ergométrico, ecocardiograma ou cintilografia; na investigação de falta de ar sem causa definida; em avaliações antes de algumas cirurgias cardíacas; e no acompanhamento de pacientes com doença arterial coronariana. Nos casos de infarto agudo do miocárdio, o cateterismo costuma ser realizado de forma emergencial para identificar a artéria obstruída e restabelecer rapidamente o fluxo sanguíneo. Quem pode precisar fazer o exame? Não existe uma idade específica para a realização do cateterismo. O exame é indicado de acordo com a avaliação médica e as condições clínicas de cada paciente. Entre as pessoas que apresentam maior risco de desenvolver doença nas artérias do coração estão aquelas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, histórico de tabagismo, obesidade, histórico familiar de doenças cardiovasculares e doença renal crônica. Como o procedimento é realizado? Na maioria dos casos, o paciente permanece acordado durante todo o procedimento, recebendo apenas anestesia local no local da punção e, quando necessário, uma leve sedação. O exame costuma durar entre 20 e 60 minutos, dependendo da complexidade. “Atualmente, a maior parte dos procedimentos é realizada pelo punho, técnica que proporciona maior conforto, menor risco de sangramento e recuperação mais rápida. Em muitos casos, o paciente recebe alta no mesmo dia”, explica a cardiologista intervencionista. O cateterismo oferece riscos? Como qualquer procedimento médico, o cateterismo apresenta riscos, mas eles são considerados baixos quando o exame é realizado por equipes especializadas. As complicações mais comuns são pequenos hematomas no local da punção. Eventos mais graves, como sangramentos importantes, reações ao contraste, arritmias ou acidente vascular cerebral, são menos frequentes. Antes do exame, toda a condição clínica do paciente é avaliada para reduzir esses riscos. Quando realizado rapidamente em pacientes com infarto, o cateterismo permite identificar a artéria obstruída e realizar imediatamente a angioplastia, restaurando a circulação sanguínea. Quanto menor o tempo entre o início dos sintomas e o tratamento, maiores são as chances de preservar o músculo cardíaco e reduzir complicações. Além das situações de emergência, o exame também permite diagnosticar doenças que poderiam evoluir silenciosamente por muitos anos. Deixe uma resposta Cancelar resposta Seu endereço de email não será publicado.ComentarNome* Email* Website