APÓS EXIBIÇÕES INTERNACIONAIS E PARTICIPAÇÃO NO FESTIVAL DE XANGAI, FILMES BRASILEIROS CHEGAM ÀS SALAS DE CINEMA DO PAÍS Ricardo Lemos 27 de julho de 2026 Cultura, Notícias Os títulos “A Herança de Narcisa”, “A Fabulosa Máquina do Tempo” e “Feito Pipa” passaram por festivais mundo afora, entre eles o 28º Festival de Xangai, um dos principais da Ásia Lázaro Ramos e Yuri Gomes em “Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton | Crédito: Jamille Queiroz O público brasileiro poderá conferir três dos nove filmes brasileiros que ganharam destaque no circuito internacional de festivais ao serem selecionados para a Mostra de Cinema Brasileiro, parte das iniciativas do Ano Cultural Brasil-China 2026, que integrou a programação do Festival Internacional de Cinema de Xangai – SIFF. A Herança de Narcisa, terror estrelado por Paolla Oliveira, com direção de Clarissa Appelt e Daniel Dias, já está em cartaz nos cinemas. Já A Fabulosa Máquina do Tempo, novo documentário de Eliza Capai, e o drama Feito Pipa, com Lázaro Ramos e dirigido por Allan Deberton, chegam às salas brasileiras respectivamente em 30 de julho e 24 de setembro deste ano. A HERANÇA DE NARCISAConsiderado o primeiro trabalho de Oliveira no cinema de horror, o longa aborda temas como vivência feminina e trauma familiar por meio da relação da protagonista Ana com sua mãe Narcisa, uma ex-vedete já falecida. Mesclando o suspense psicológico, o sobrenatural e o drama familiar, a trama acompanha a personagem principal, que, após perder a mãe, decide vender a casa onde cresceu, mas é obrigada a confrontar as memórias do passado quando começa a ser assombrada pela matriarca. A produção teve sua estreia no 27º Festival do Rio, onde conquistou o Troféu Redentor de Melhor Longa-Metragem na mostra Première Brasil: Novos Rumos. Também selecionado para integrar a iniciativa brasileira na China, o filme foi representado por Paolla Oliveira e os diretores Clarissa Appelt e Daniel Dias na comitiva brasileira que foi à Ásia para as celebrações do Festival de Xangai. Segundo Appelt, a reação do público chinês ao longa foi “emotiva e muito bonita”, demonstrando a capacidade da arte de alcançar “plateias de culturas tão diferentes”. Ela conta que tal recepção não se limitou apenas a A Herança de Narcisa, também tendo presenciado respostas calorosas a outras histórias brasileiras. “É muito importante o intercâmbio cultural com o mundo todo, mas com a China, especialmente, esse contato e essa troca cultural foram muito ricas”, finaliza. A FABULOSA MÁQUINA DO TEMPOEm seu novo trabalho, a documentarista Eliza Capai volta a abordar temas recorrentes em sua obra, como desigualdade social e questões de gênero. Premiado no Cine PE e no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, o longa dá voz a um grupo de meninas que vivenciam o fim da infância e a chegada da adolescência em Guaribas, no sertão do Piauí, escolhida em 2003 como cidade piloto do Programa Fome Zero por ter o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país na época. Hoje, Capai acompanha o crescimento de suas protagonistas, enquanto elas brincam entre o passado difícil de suas mães e a possibilidade de imaginar um futuro para elas mesmas. O filme teve sua estreia mundial na Mostra Generation do Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale), além de ter sido selecionado para o É Tudo Verdade e para a Mostra de Cinema Brasileiro no SIFF. Para a produtora Mariana Genescá, que representou o documentário na exibição na China, é em experiências como essas “que vemos, na prática, como a arte e o cinema têm o poder de encurtar distâncias, desfazer fronteiras e de nos conectar através da essência máxima do que é ser humano”. Segundo Genescá, a audiência chinesa recebeu A Fabulosa Máquina do Tempo de forma calorosa, comparecendo em peso para a sessão-debate, que teve os ingressos esgotados. Para ela, a participação do público, com perguntas pertinentes e curiosas, demonstrou “como eles tinham entendido muito bem o filme, em todas as suas camadas e complexidades”. FEITO PIPAA trama dirigida por Allan Deberton, aborda temas como memória e aceitação ao acompanhar Gugu, um garoto queer, criado de forma livre pela avó Dilma nas proximidades da Barragem de Araújo Lima. A tranquilidade da vida que levam juntos passa a ser ameaçada quando a seca revela as ruínas de uma antiga cidade e, junto delas, o estado de saúde de sua avó, o que pode obrigá-lo a morar com o pai, Batista, com quem tem uma relação turbulenta. Protagonizado pelo jovem ator Yuri Gomes, ao lado de Lázaro Ramos e Teca Pereira, o longa foi premiado no Festival de Guadalajara, Festival de Cartagena e Festival de Berlim, onde conquistou o Urso de Cristal de Melhor Filme e o Grande Prêmio do Júri Internacional. Já no Festival de Xangai, a produção se destacou ao ser duplamente selecionada, participando tanto da Mostra Brasileira quanto da Mostra Belt and Road Film Week. Sobre a experiência, Deberton conta que foi “bonito perceber que as diferenças culturais não impediram a conexão com o protagonista e sua trajetória”, pelo contrário, “o jeito de ser de Gugu, a situação de sua família e do lugar onde vive parecem ter despertado curiosidade e identificação”. “Essa é uma das maiores forças do cinema: apresentar um universo particular e, ao mesmo tempo, revelar emoções que podem ser compreendidas em qualquer parte do mundo”, conclui o diretor. Além dos títulos, também participaram da Mostra de Cinema Brasileiro em Xangai: Papaya, de Priscilla Kellen; A Hora da Estrela, de Suzana Amaral; Amadeo e o Hipotético Mundo Novo, de Brenda Lígia e Edu Felistoque; Para Vigo me Voy!, de Lírio Ferreira e Karen Harley; O Deserto de Luiza, de Alan Minas; e Coração das Trevas, de Rogério Nunes, que está previsto para ser lançado ainda em 2026. A Plataforma Brasil de Audiovisual é uma realização do Ministério da Cultura (MinC), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Ministério do Turismo (MTur), a Funarte, a Embratur, o Sebrae, o Instituto Guimarães Rosa, o Consulado-Geral do Brasil em Xangai e a Embaixada do Brasil em Pequim. O projeto tem patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Petrobras e da Caixa Econômica Federal, com produção executiva da Quitanda Soluções Criativas e do Instituto Ibero Culturas e cooperação da UNESCO. Deixe uma resposta Cancelar resposta Seu endereço de email não será publicado.ComentarNome* Email* Website